domingo, 15 de maio de 2011

Um mineiro nas alturas...

     "Quando eu era criança pequena lá em Barbacena" o mais próximo que cheguei de aviões foram em raras visitas que fiz ao aeródromo da cidade e nem imaginava que um dia estaria subindo e descendo nessas máquinas espetaculares.
    Minha admiração pela aviação me levou a prestar prova para a Aeronáutica, porém como piloto não deu certo. Passei no concurso para sargento e estive em Guaratinguetá-SP por 1 ano e meio me especializando em eletrônica. Ao completar o curso, vim para SP… e minha unidade ficava nada menos que no mais movimentado aeroporto do Brasil, Congonhas!!!
    Congonhas será um "capítulo" à parte no meu blog e não pretendo gastar mais tempo neste post falando dele.
    Após quase um ano vendo os aviões subindo e descendo num ritmo inacreditável, 'ganhei' minha primeira viagem. Fui selecionado para fazer um curso em Fortaleza, já que estava trabalhando na seção de manutenção de radar.
    O primeiro vôo foi meio estranho… uma mistura de euforia, medo, curiosidade… tudo era novidade e estava mto alegre de estar dentro daquela máquina gigantesca que em poucos minutos estaria fora do chão. "Como poderia?" eu pensava…
    O avião começou a taxiar e aquele frio na barriga foi aumentando… "Tripulação, preparar para a decolagem"… a turbina que eu achava estar gritando até então, na verdade estava só murmurando, pois qdo o piloto deu toda a potência nela, aí sim eu pude sentir o que era o verdadeiro "grito". Uma força me empurrou contra a poltrona e fui vendo a pista passando cada vez mais rápido. Até então me sentia num carro de corrida mto rápido, mas de repente, ele saiu do chão… e o mineirinho estava finalmente voando.
    Infelizmente não estava acompanhado e tudo o que eu queria falar, tive que guardar só pra mim mesmo. Naquele momento pensei no meu pai, que sempre gostou de aviões também, mas (acho) que nunca teve a oportunidade que eu estava tendo naquele momento.
    Após algumas viagens, acabei me acostumando com aquele frio na barriga e gostando cada vez mais do mundo da aviação. Cada vôo é diferente; interessante, não?.
    Meu grande próximo vôo foi para a França após me destacar num curso ainda na Aeronáutica.
    Vôo international… eu jamais tinta pensado nisso antes… e só de imaginar ficar num avião 12 horas me tirava o sono. "Caramba… vou atravessar o oceano"… Novos medos, novos sentimentos, novas sensações… isso tudo só pra confirmar o que eu pensava "cada vôo é diferente". Mais interessante que a ida, foi a volta… pois após passar uma semana na França, a gente acaba aprendendo algumas frases, palavras e expressões em francês… e quando eu entrei na aeronave, a comissária me cumprimentou em francês, e como "bonjour" eu entendia, respondi da mesma forma "bonjour". Acho que foi a pior coisa que eu fiz nesse vôo, pois toda hora que a moça passava servindo as coisas pra comer, ela só me oferecia as coisas em francês. "Tô lascado… não tô entendendo nada do que ela tá falando"… mas entre aquele monte de palavras sem sentido que ela falava, eu só consegui entender uma, "vin"… hummm, "vinho" eu entendi… e como também sou um admirador de vinhos, a resposta foi rápida e a pronúncia foi perfeita como um "legítimo francês" do interior de Minas Gerais: "vin, s'il vous plaît" (vinho, por favor). É… não teve jeito, tive que vir tomando vinho francês de Paris até Guarulhos… hehehe
    Quando resolvi sair da Aeronáutica, pensei que meus vôos se resumiriam aos que tinham acontecido até então… mas me enganei… a empresa que trabalho atualmente abriu um escritório em Maringá e meus vôos recomeçaram. Nada de especial nos vôos da Pantanal, Gol e Tam até que um dia o dono da empresa me chamou para ir até Maringá em seu avião particular. Mais uma experiência diferente… mais um vôo diferente… mais um tipo de avião, Seneca II.
    Uma coisa engraçada foi quando meu chefe me perguntou: "você imaginava que conheceria alguém que tivesse um avião e estivesse voando com ele?" Sabe quando em 1 segundo vc pensa em toda a sua vida? Pois é… isso aconteceu e a resposta que dei a ele foi: "cara… eu sou de Barbacena… há 15 anos eu não imaginava pelo menos 90% do que é minha vida hoje". E isso é verdade… o que eu pensava qdo tinha 15 anos? Pensava em ser militar, Aeronáutica ou Polícia Militar… ter uma vida tranqüila lá em Barbacena mesmo e era isso… mais nada…
    Meu chefe riu com a resposta e eu, olhando pela janelinha do Seneca, fiquei pensando novamente na vida.
    Bom… acho que nessas poucas linhas pude contar um pouquinho da minha história e espero escrever outros posts falando das próximas viagens.
    Bons vôos a todos!!!

Um comentário:

  1. Oi André,

    Adorei este post e quero dizer que nada é previsível nesta vida e cada um de nós compõe a sua própria história. Parabéns por você ter alçado vôos inimagináveis !!!

    ResponderExcluir